Open Finance brasileiro: onde estão as oportunidades reais de produto

A fase de infraestrutura encerrou

O Open Finance brasileiro completou seu ciclo de implantação técnica. Os APIs regulatórios estão publicados, as fases de compartilhamento de dados e iniciação de pagamentos foram absorvidas pelas instituições participantes, e a camada de consentimento opera com volume mensal expressivo. O que ainda não se materializou na escala esperada e a transformação desse substrato em produtos que o cliente final perceba como valor diferenciado.

Três frentes de oportunidade real

A primeira frente e a camada de inteligência financeira corporativa. Empresas de médio e grande porte mantêm relacionamento com múltiplas instituições, e o consolidador de extratos, fluxos e posições em tempo real deixou de ser luxo para tornar-se infraestrutura de tesouraria. O mercado ainda esta subatendido nesse segmento, particularmente em corporates com receita anual entre cinquenta milhoes e um bilhao de reais.

A segunda frente e a originação de crédito assistida por dado transacional. A combinação de extratos compartilhados via Open Finance com modelos de risco proprietarios permite escora de crédito com profundidade que o bureau tradicional não alcanca. Instituições que conseguirem operacionalizar essa combinação em escala, com governança de dados sólida, abrem espaco de mercado que não existe na infraestrutura atual.

A terceira frente e a personalização de produto financeiro em camada de banco como serviço. Plataformas que oferecem white label transacional ganham densidade quando integradas a sinais comportamentais derivados de Open Finance. O potencial e particularmente relevante para fintechs verticais em segmentos onde o cliente tem comportamento financeiro previsível.

O que freia a velocidade de adoção

A regulamentação avancou mais rápido do que a maturidade comercial das instituições participantes. Muitos bancos cumprem a obrigação técnica, mas não construiram time de produto dedicado a explorar o substrato. Essa lacuna abre espaco para terceiros, particularmente provedores de tecnologia especializados em modelagem de dados financeiros.

O ponto de virada do Open Finance não será técnico, será de produto. A pergunta não e mais se existe infraestrutura, e sim quem sabe usa-la.

Ha também desafio na percepção de valor pelo cliente final. Pesquisas de mercado indicam que parcela significativa de clientes corporativos ainda não reconhece o Open Finance como diferencial em decisões de fornecedor financeiro. A tradução do beneficio técnico em proposta de valor comercial ainda esta em construção.

Horizonte de mercado

Os próximos vinte e quatro meses devem revelar a separação entre instituições que tratam o Open Finance como obrigação regulatória e aquelas que o tratam como plataforma de produto. A diferenca no resultado econômico tende a ser substancial, particularmente em segmentos corporativos com alta sensibilidade a custo financeiro e necessidade de visibilidade transacional.

Rolar para cima