Méliuz: caminho único de cashback integrado com portfólio de Bitcoin

Méliuz é plataforma de cashback integrada a e-commerce e marketplaces brasileiros desde sua fundação (código aberto em 2011). Usuários realizam compras em lojas parceiras e recebem devolução de percentual (2-10%) como crédito em carteira digital ou Bitcoin.

Em 2025, Méliuz (ticker CASH3 na B3) apresentou lucro líquido acumulado de aproximadamente R$ -1,1 milhão, revertendo prejuízo de R$ 11,3 milhões em 2024. Este resultado combina lucratividade operacional com volatilidade financeira.

Detalhamento trimestral de 2025: (a) 1T: R$ 10 milhões de lucro (alta de 48% vs 1T24); (b) 2T: R$ 7,6 milhões de lucro (reversão de prejuízo R$ 60,8 mi em 2T24); (c) 3T: R$ 14,2 milhões de lucro (alta de 61% vs 3T24); (d) 4T: prejuízo de R$ 32,9 milhões, impactado por "perdas relacionadas ao Bitcoin" — esta queda terminal sugere posição especulativa em criptoativos.

Estrutura de resultado Méliuz: operação robusta, tesouraria volátil

Separando operação (cashback + e-commerce) de resultados financeiros (ganhos/perdas em Bitcoin): Méliuz registrou resultado operacional positivo em 3 de 4 trimestres. Receita consolidada em 1T25 foi R$ 100,4 milhões (crescimento 22% anual, queda 4% sequencial).

Estratégia recente de Méliuz para "Bitcoin Treasury Company"; isto é, acumular criptoativos no balanço — foi articulada por gestão como forma de diversificar receita além de cashback. Esta aposta resultou em perda volumosa em 4T25 quando preço de Bitcoin recuou.

Questão editorial: modelo de negócio central (cashback) é estável. A volatilidade surge de decisão estratégica de alocar capital em criptoativos, não de insuficiência operacional.

PagBank: operação consolidada, lucro em escala

PagBank é braço fintech de PagSeguro (empresa de pagamentos), operando como neobank e plataforma de conta digital com produtos adicionais (crédito pessoal, investimentos). Tem capital aberto na B3 sob ticker PAGS.

PagBank registrou lucro líquido consolidado de R$ 599 milhões no trimestre analisado (crescimento 12,8% trimestral, 22,7% anual). Para o ano fiscal 2025, lucro total foi R$ 2,1 bilhões, alta de 28% comparado a 2023.

Desempenho de PagBank reflete consolidação de base de usuários (conta aberta, adesão a crédito e investimentos) e captura de spread em operações de crédito. Diferente de Méliuz, PagBank tem receita de múltiplas fontes: juros em crédito pessoal, comissões de investimento, spread de operações de câmbio.

Por que não são "unicórnios" mas são relevantes

Méliuz e PagBank não perseguiram modelo de venture-backed scaling ("queimar dinheiro em CAC para ganhar market share"). Ambas construíram receita antes de escala massiva, caminho oposto ao de Nubank (11 bilhões de dólares em aportes, queimou caixa por anos, entrou em IPO com EBITDA ainda negativo em 2021).

Este modelo mais "conservador" resulta em empresas menos valorizadas no hype cycle, mas operacionalmente mais resilientes. Ambas têm capital aberto em bolsa brasileira (não em Nasdaq como Nubank), sugerindo que mercado local não reconhece premium sobre modelo de crescimento sustentável.

Contexto de mercado: fintechs em 2026 enfrentam pressão de rentabilidade

Geração anterior de fintechs (2010-2018) criou demanda por "fintech pura"; interface móvel, sem burocracia bancária tradicional. Mercado esperava escala de usuários (Nubank atingiu 80+ milhões) gerar receita via ancoragem em produtos premium.

Em 2025-2026, mercado corrige expectativa: crescimento de usuários sem monetização clara não sustenta operação. Investidores institucionais (que entraram em IPOs de Nubank, PicPay, etc.) agora exigem EBITDA positivo e visibilidade de fluxo de caixa.

Neste quadro, Méliuz e PagBank; com operações EBITDA-positivas desde origem, reposicionam-se como modelos mais "viáveis" que unicórnios ainda queimando caixa.

Oportunidades e riscos em 2026

Méliuz: Sucessão de volatilidade em Bitcoin foi teste de gestão. Se casa conseguir operação de cashback crescendo (receita +22% em 1T25) enquanto reduz exposição a criptoativos especulativos, 2026 pode trazer volta a lucro mais estável. Risco: modelo de cashback depende de volume de e-commerce; em recessão, compras online caem e receita sofre.

PagBank: Consolidated growth (12-22% ao ano) é acelerador moderado. Risco principal é juros em alta: se Banco Central iniciar novo ciclo de aperto, spreads de crédito podem se comprimir e inadimplência pode subir. Oportunidade é expansão de linhas de crédito parcelado integradas a Pix.

Conclusão: duas estratégias válidas, invisibilidade midiática é erro de leitura

Méliuz e PagBank não são "next Nubank" porque não pretendem ser. Modelo de rentabilidade cedo reduz valor total de empresa (no papel), mas aumenta sobrevivência e disponibilidade de capital para re-investimento.

Para mercado em que crédito está mais caro (taxa Selic real > 2% em 2026) e venture capital é menos abundante que em 2020-2022, empresas rentáveis tornam-se mais atrativas — tanto para mercado quanto para análise editorial.